Procedimento · Uro-oncologia
Prostatectomia radical robótica
A prostatectomia radical é a cirurgia que remove a próstata e as vesículas seminais no tratamento do câncer de próstata localizado. Realizada por via minimamente invasiva com auxílio de plataforma robótica, combina a intenção curativa com uma preocupação que caminha junto dela do primeiro ao último dia: preservar continência e função sexual naquilo que o tumor permitir.
Revisão médica:
Dr. José Henrique Santiago · MÉDICO — Urologia · CRM-SP 178624 · RQE 67765
Fellowship em cirurgia minimamente invasiva pela Faculdade de Medicina do ABC e
especialização em uro-oncologia pelo Instituto Dr. Arnaldo.
Última revisão: 27 de julho de 2026
O que é a prostatectomia radical robótica?
É a remoção cirúrgica completa da próstata e das vesículas seminais, seguida da reconstrução do trajeto urinário — a bexiga é reconectada diretamente à uretra. Quando indicado pela classificação de risco, os linfonodos da pelve também são removidos para análise.
Na via robótica, a operação acontece por pequenas incisões no abdome. O cirurgião comanda os instrumentos a partir de um console na sala cirúrgica, com visão tridimensional ampliada e instrumentos articulados que reproduzem os movimentos de suas mãos com precisão, filtrando tremores. Vale dizer com todas as letras: o robô não opera nada sozinho — é um instrumento sofisticado nas mãos da equipe, e é a equipe que conduz cada etapa.
Quando a cirurgia é indicada?
A prostatectomia radical é uma das opções com intenção curativa para o câncer de próstata localizado ou localmente avançado selecionado. A indicação considera:
- A classificação de risco — grupo ISUP, PSA e estadiamento
- Idade, expectativa de vida e condições clínicas
- Sintomas urinários prévios, que podem pesar a favor da cirurgia em relação à radioterapia
- A preferência do paciente, depois de esclarecidas as alternativas — incluindo vigilância ativa nos tumores de baixo risco e radioterapia como opção igualmente estabelecida
O contexto completo dessas alternativas — o que é vigilância ativa, quando a radioterapia entra em cena, como o risco é classificado — está na página sobre o câncer de próstata.
Como a cirurgia é feita?
O procedimento é realizado sob anestesia geral e dura, em geral, de duas a quatro horas. Pela via robótica, o acesso é feito por cinco a seis incisões de aproximadamente um centímetro no abdome.
As etapas principais:
- Descolamento da próstata das estruturas vizinhas — bexiga, reto e feixes neurovasculares
- Remoção em bloco da próstata e das vesículas seminais, enviadas ao exame anatomopatológico
- Linfadenectomia pélvica, quando indicada pela classificação de risco
- Reconstrução: sutura da bexiga diretamente à uretra (anastomose vesicouretral), protegida por sonda vesical
Preservação dos feixes neurovasculares
Os nervos relacionados à ereção passam colados à cápsula da próstata, em dois feixes laterais. Sempre que a localização e a agressividade do tumor permitem, esses feixes são preservados — de um lado, dos dois, parcial ou totalmente. Essa decisão equilibra dois objetivos que às vezes competem entre si: remover todo o tumor com margem adequada e preservar o máximo de função. O plano de preservação é discutido antes da cirurgia, com base na ressonância, na biópsia e no exame físico — e pode ser ajustado durante o procedimento, conforme o que a anatomia mostrar.
Como é o preparo?
- Avaliação pré-anestésica, com exames conforme idade e comorbidades
- Anticoagulantes e antiagregantes: pausa ou manutenção definida junto ao médico que os prescreveu — nunca por conta própria
- Jejum conforme orientação da equipe de anestesia
- Fisioterapia do assoalho pélvico: em muitos casos, os exercícios começam antes da cirurgia, o que facilita a reabilitação da continência depois
A internação costuma ocorrer no mesmo dia do procedimento.
Como é a recuperação?
A internação dura, em geral, de um a dois dias. A dor pós-operatória costuma ser leve a moderada e bem controlada com analgésicos comuns; a alimentação é retomada de forma progressiva já no primeiro dia, e caminhar precocemente faz parte da recuperação.
A sonda vesical permanece por cerca de sete a dez dias: ela protege a anastomose entre a bexiga e a uretra enquanto a cicatrização acontece. Conviver com a sonda em casa é mais simples do que parece, e as orientações de cuidado são fornecidas na alta.
É esperado nas primeiras semanas:
- Urina rosada nos primeiros dias, clareando progressivamente
- Algum grau de perda urinária após a retirada da sonda, que melhora com o tempo e com a fisioterapia
- Fadiga, que cede ao longo das semanas
Atividades leves são retomadas em uma a duas semanas; esforço físico intenso, em geral, após quatro a seis semanas. O retorno ao trabalho depende da atividade exercida e é orientado na consulta de revisão.
Continência e função sexual: a conversa franca
São as duas maiores preocupações de quem considera a cirurgia — com razão — e merecem uma conversa sem eufemismos e sem promessas.
Continência urinária
A próstata participa do mecanismo que segura a urina; removê-la exige que o esfíncter restante assuma o trabalho sozinho. Por isso, algum grau de perda urinária é comum e esperado nas primeiras semanas após a retirada da sonda — tipicamente aos esforços, como tossir ou levantar peso. A recuperação é gradual, ao longo de semanas a meses, e a maior parte dos pacientes melhora de forma significativa com o tempo e com a fisioterapia do assoalho pélvico, que integra o tratamento desde o início. Para a parcela menor com perda persistente e incômoda, existem tratamentos específicos, discutidos no seguimento.
O tema tem uma página própria, com os tipos de perda urinária, como o diagnóstico é feito e o que as diretrizes descrevem de tratamento: incontinência urinária.
Função sexual
A ereção depende dos feixes neurovasculares vizinhos à próstata, e a recuperação após a cirurgia varia com três fatores principais: a função prévia, a idade e a extensão da preservação que o tumor permitiu. Mesmo com preservação bilateral, a recuperação costuma ser gradual — os nervos se recuperam lentamente, ao longo de meses. Estratégias de reabilitação, incluindo medicação prescrita e acompanhada, são discutidas no acompanhamento.
O tema também tem página própria, com as causas, o que a avaliação investiga e o que as diretrizes descrevem de tratamento: disfunção erétil.
Dois pontos objetivos que fazem parte do esclarecimento: após a remoção das vesículas seminais e da próstata, a ejaculação deixa de existir (o orgasmo é preservado como sensação), e a fertilidade por via natural é interrompida — quem deseja filhos deve conversar sobre preservação de sêmen antes da cirurgia. O tema tem página própria, com o que a avaliação do homem investiga e o que existe de tratamento: infertilidade masculina.
Quais são os riscos?
A prostatectomia radical robótica é um procedimento consolidado, mas, como toda cirurgia de grande porte, tem riscos:
- Sangramento, com necessidade de transfusão em uma minoria dos casos
- Infecção urinária ou de ferida operatória
- Fístula ou estreitamento da anastomose entre bexiga e uretra, incomuns
- Linfocele — acúmulo de linfa na pelve — quando há linfadenectomia
- Lesão de estruturas vizinhas, rara, com necessidade de reparo
- Incontinência persistente e disfunção erétil, discutidas em detalhe na seção anterior
- Eventos tromboembólicos, prevenidos com deambulação precoce e, conforme o caso, medicação
O que acontece depois da cirurgia?
A peça cirúrgica inteira segue para o exame anatomopatológico, que informa o grau definitivo do tumor, as margens cirúrgicas e o estado dos linfonodos, quando removidos. Esse laudo, somado à evolução do PSA, orienta o seguimento.
Como a próstata é a fonte do PSA, após a remoção completa o valor é acompanhado por dosagens periódicas, que constituem a principal ferramenta de vigilância no longo prazo. Conforme o resultado do anatomopatológico e a evolução, tratamentos complementares — como radioterapia — podem ser indicados em situações específicas, e essa possibilidade faz parte do esclarecimento pré-operatório.
Robótica, laparoscópica ou aberta?
A mesma cirurgia pode ser realizada por três vias. Na aberta, o acesso é por incisão abdominal; na laparoscópica, por pequenas incisões com instrumentos retos; na robótica, por pequenas incisões com visão tridimensional ampliada e instrumentos articulados.
Estudos associam as vias minimamente invasivas a menor sangramento e recuperação mais rápida no pós-operatório imediato, com resultados oncológicos comparáveis entre as vias quando a cirurgia é realizada por equipes experientes. Mais determinante que a via, a literatura aponta consistentemente a experiência da equipe cirúrgica como fator central dos resultados — a plataforma é o instrumento, não o cirurgião. A via proposta para cada caso é discutida em consulta, considerando também a disponibilidade da tecnologia no hospital.
Perguntas frequentes
O robô opera sozinho?
Não. A plataforma não tem autonomia nenhuma: cada movimento é comandado em tempo real pelo cirurgião, a partir de um console na própria sala. O sistema traduz os movimentos das mãos em movimentos precisos dos instrumentos, filtrando tremores — é uma ferramenta, e o resultado depende da equipe que a utiliza.
Quanto tempo fico internado?
Na maioria dos casos, de um a dois dias. A alta considera o controle da dor, a aceitação da dieta e as condições clínicas de cada paciente.
Quanto tempo vou usar sonda?
Em geral, de sete a dez dias. A sonda protege a reconstrução entre a bexiga e a uretra enquanto a cicatrização acontece, e a retirada é simples, feita no consultório ou no hospital.
Vou ficar incontinente?
Alguma perda urinária é comum nas primeiras semanas após a retirada da sonda, com recuperação gradual ao longo de semanas a meses. A evolução varia conforme idade, características do caso e adesão à fisioterapia do assoalho pélvico — e é discutida individualmente antes da cirurgia.
A cirurgia afeta a ereção?
Pode afetar, porque os nervos da ereção passam junto à próstata. Quando o tumor permite, esses feixes são preservados, e a recuperação — gradual, ao longo de meses — varia com a função prévia, a idade e a extensão da preservação. Estratégias de reabilitação são discutidas no acompanhamento.
Robótica é melhor que cirurgia aberta?
As vias têm perfis diferentes: estudos associam a via minimamente invasiva a menor sangramento e recuperação mais rápida no pós-operatório imediato, com resultados oncológicos comparáveis quando a cirurgia é feita por equipes experientes. A via proposta depende das características de cada caso.
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